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E novamente uma risada feminina idiota pareceu sobressair do limbo, das sombras, da área comum do condomínio. Já havia notado que algumas pessoas, quando paravam em frente aos elevadores, diferentemente das demais, não disparavam o sensor de presença das iluminarias ali instalado pelo Sr. Elias, o síndico. Elas ficavam no escuro rindo como loucos fantasmas. Talvez fossem elas os tais seres com o  aquele novo corpo desenvolvido com matéria escura e não radioativa na face da Terra.

Estava rindo, quando de repente minha dentadura se partiu ao meio.  Então eu comecei a chorar de ódio. Meu pai se chamava Fróid

Infelizmente, não parece haver nenhuma previsão cientifica de que o mundo acabe em barranco ainda esta semana. Ou sim? (!)

Não entrarei mais no céu. Sou mesmo um animal da Terra.

Às vezes penso que a dona Leda sofre de idiotice precoce, ou então ela é mesmo muito babaca. Está sempre rindo. Olha pra mim e ri. Quando viajamos juntos no elevador de um andar ao outro no prédio da repartição, ela  faz sempre os mesmos comentários óbvios sobre meteorologia “Acho que vai chover hoje”, ou então aquele tradicional “que calor!”.

Pela manhã, ao sair do prédio, tive a impressão de ter visto o Sr. Martins passar por mim rapidamente comendo seus amendoins.

Parece que não sei. Estou sentindo cheiro de bunda. A senhora Assíria deve estar por perto.  O negócio dela é apenas me foder, me explorar, tirar o máximo proveito da minha sofrega existência para os seus nefastos fins, sem se importar um mínimo sequer com o meu ser, as minhas necessidades particulares.


Meu medo é que não haja mesmo nenhuma solução para os nossos problemas humanos –  físicos e metais -ou, pelo menos, enquanto estivermos comprometidos com essa podridão, esses padrões e valores sociais, culturais e econômicos vigentes.