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Dia inexistente. Meu cabelo está horrível. Minha cabeça parece um caroço de manga chupado. Estou só o pó da rabiola, por dentro e por fora.  Qualquer parte do meu corpo que você escolher está deteriorada. Não é fácil envelhecer. Apenas aquilo, que alguns insistem em chamar de espírito, parece resistir ao tempo.


Estou farto dessa vidinha besta e de toda essa arte nonsense dos dias atuais. Não sei porque, atualmente, se produz tanta obra de arte dentro dessa porra de gênero nonsense. Acho que deve ser mesmo pura falta de criatividade, ou hipocrisia, ou sei lá o que. Ninguém diz a verdade diretamente. Nem a mentira. Tudo em estilo nonsense, parábola, besteirol. Cultura nenhuma.

Para evitar os larápios, arranquei a fechadura da chave tetra da porta, e no lugar ficou um enorme buraco, por onde as pessoas podem observar meu corpo branco e esquálido, quando saio correndo, pelado do banho; mas eu também posso visualizar, por esse rombo, os elevadores, bem assim toda movimentação de pessoas nas áreas comuns do condomínio.

Parecia o som de algo borbulhando. De repente, abruptamente, a tampa do vaso sanitário se ergueu, como a escotilha de um submarino, e o Sr. Phodo surgiu majestosamente com sua cara de bosta. Olhou-se no espelho e viu ali estava refletido praticamente quase tudo o que havia visto durante sua viagem até a estação azul do metrô.

Enquanto a dona Leda almoçava, de trás das persianas eu fotografava os grãos de feijão em seu prato. Posso dar uma mordida em sua maçã? – perguntei, forçando um aparente tom de timidez na voz.

Cansei de fotografar miniaturas, a gasolina acabou. Eu amava Bertone. Há um sinal atrás do over drive. Trancado em seu apartamento, alguém engasgado tosse. Uma chuva de palavras repetidas ao acaso espatifa-se no caos colorido e molhado no chão do elevador.

Perdi as penas e o plumo, o rumo e o fio da meada, o sentido da realidade, apertei o botão T e fui novamente ao Bobs, com as mãos cheias de micróbios e bactérias, comer alguma coisa de verdade, rica em proteína e gordura animal.

É preciso oferecer algo mais às pessoas, além de pão e poesia, não acham?